QUEM SOMOS
nós
La vamos nós...
Falar sobre si mesmo nunca foi uma tarefa muito simples e, para ser sincero, sempre encarei isso como algo um pouco estranho.
Principalmente na internet, onde às vezes parece que todo mundo precisa provar alguma coisa o tempo todo. Sempre acreditei que as histórias mais importantes acabam aparecendo naturalmente — nas experiências vividas e nas pessoas que caminham com a gente.
Mas quando o trabalho envolve levar pessoas para ambientes remotos, contar um pouco da própria trajetória deixa de ser apenas uma apresentação. Passa a ser também uma forma de mostrar de onde vêm a experiência, os valores e a responsabilidade que esse tipo de atividade exige.
Então, como eu sei que este é um espaço onde provavelmente só quem realmente tem interesse vai ler e onde a maioria das pessoas vai acabar prestando mais atenção nas imagens, vou pedir licença para contar uma história um pouco mais longa.
Vou contar na 1ª pessoa, assim fica menos institucional e chato de ler.
No estilo "TODO MUNDO ODEIA O CHRIS ". Então, lá vamos nós.
A história da Zona de Conforto Aventuras começa muito antes da empresa existir.
A HERANÇA DA AVENTURA
Em 1984, meu pai, Célio Santana, conhecido por todos como “Bigode”, começou a fazer suas primeiras trilhas ainda jovem, explorando lugares como Bertioga, Paranapiacaba e a Pedra do Baú. Foi ali que nasceu uma conexão muito forte com a natureza e com a vida ao ar livre.
Essa relação com a natureza também estava ligada ao Clube de Desbravadores, movimento educacional e religioso do qual ele já fazia parte desde 1976. O clube incentiva jovens a desenvolver habilidades por meio de atividades na natureza, acampamentos e expedições até hoje. Movimento esse que juntou ele com Dona Adriana, minha mãe.
Em 1986, aos 20 anos, meu pai assumiu a função de diretor do Clube de Desbravadores Eldorado, na periferia da zona leste de São Paulo. O clube acabou se tornando bastante conhecido na região — o “grande” Eldorado, como eu gosto de dizer. Durante cerca de vinte anos ele organizou, liderou e planejou trilhas, acampamentos e grandes encontros conhecidos como camporees.
Foi nesse ambiente que eu cresci.
Enquanto algumas crianças passavam os finais de semana no shopping, eu estava aprendendo a montar barraca, fazer fogueira, andar na mata e acordar cedo para trilha. Na época eu não fazia ideia, mas tudo aquilo estava construindo uma relação muito natural com as montanhas e com a vida ao ar livre.
Esse sou eu com 6 anos
O caminho da disciplina
Já na juventude, minha história também foi marcada pela realidade da periferia de São Paulo. Cresci entre o Sapopemba, zona leste e o Capão Redondo, zona sul, onde durante muitos anos grandes viagens ou expedições caras simplesmente não faziam parte da realidade.
Ainda assim, os exemplos dos meus pais e a vivência no Clube de Desbravadores fizeram com que a natureza e as montanhas sempre estivessem presentes no meu caminho. Aos 16 anos comecei a me aventurar de forma mais autônoma, fazendo minhas próprias trilhas e pequenas expedições sempre que surgia oportunidade.
Aos 19 anos ingressei no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), do Exército Brasileiro, uma escolha que na época parecia se aproximar muito do tipo de vida que eu buscava: atividade física, desafios e ambientes naturais.
Durante a formação tive a satisfação de concluir o curso como 1 colocado na arma de Infantaria, especialidade que escolhi seguir e 1 colocado da turma geral. Ao longo desse período recebi também algumas premiações e condecorações dentro do meio militar, por capacitações técnicas e físicas.
A maior parte dos alunos formados no CPOR segue suas vidas civis na reserva, retornando às suas atividades fora do meio militar. Porém em cada arma, apenas os 3 ou 4 primeiros colocados costumam ter a oportunidade de servir diretamente na tropa e liderar soldados. Por conta da classificação obtida no curso, tive essa oportunidade e assumi a liderança de um pelotão de fuzileiros em um quartel de ação estratégica do Exército.
Nos anos seguintes permaneci no Exército por cerca de sete longos anos. Nesse período tive a oportunidade de viajar bastante, ganhar experiência, participar de diversos treinamentos e realizar inúmeros cursos. Aqui vale mencionar o Curso de Combatente de Montanha, onde aprendi técnicas de progressão em terreno montanhoso, escalada e rapel. Também realizei o Curso de Combatente Aeromóvel, voltado a operações com aeronaves como helicópteros, além de formações relacionadas a logística e planejamento de operações. Ao longo desse período também participei de treinamentos na área de primeiros socorros, APH tático e técnicas de resgate.
Foi também um período de muitos aprendizados sobre liderança e responsabilidade. Ao conviver com diferentes formas de comandar e organizar equipes, fui entendendo melhor que tipo de líder eu gostaria de ser. Muitas dessas experiências acabaram moldando a forma como hoje conduzo pessoas em ambientes de montanha: com planejamento, atenção aos detalhes e respeito por quem está compartilhando a jornada.




















